Quanta massa muscular perdes numa maratona — dados reais
Um estudo publicado em 2025 na revista Medicina (MDPI) mediu a composição corporal de 16 corredores amadores — oito de maratona, oito de ultramaratona — antes da prova, logo a seguir e às 24 horas. O resultado contraria um receio comum: a massa muscular manteve-se praticamente inalterada, enquanto o peso corporal baixou de forma visível. Se te perguntas o que perdes realmente numa corrida longa, a resposta importa mais do que parece.
O que baixou realmente durante a prova
Ambos os grupos perderam peso e apresentaram um IMC mais baixo logo após a prova — 1,65% nos maratonistas, 3,46% nos ultramaratonistas. A diferença é lógica: mais quilómetros, mais tempo a correr, mais perda de líquidos.
Mas quando os investigadores separaram os componentes, a imagem mudou. A massa magra — músculo, na sua maior parte — não baixou de forma significativa em nenhum dos grupos, em nenhum dos três momentos medidos. O que baixou de forma acentuada foi a gordura corporal total: 9,54% nos maratonistas, 15,32% nos ultramaratonistas.
Ou seja, os quilos que desapareceram da balança não eram músculo. Eram gordura mobilizada como energia e água perdida através da transpiração e da respiração.
Por que razão o peso volta no dia seguinte
Às 24 horas após a prova, o peso e o IMC recuperaram parcialmente. Os autores atribuem isto à ressíntese de glicogénio — o músculo retém água à medida que repõe as reservas de hidratos de carbono — e não a uma reconstrução de tecido muscular, que levaria muito mais tempo.
Na prática, a queda brusca na balança no dia da prova é, em grande parte, uma fotografia da desidratação e do glicogénio esgotado, não uma mudança real na composição corporal. É um bom motivo para não tirares conclusões de uma única pesagem pós-prova.
O que este estudo não nos diz
As limitações são claras e devem ser ditas sem rodeios: 16 homens, medidos por bioimpedância elétrica — um método sensível a flutuações agudas de hidratação — e uma única prova. O estudo mostra o que acontece nas horas à volta de um evento, não o que acontece ao longo de um bloco de preparação de vários meses.
Os autores notam também que outros estudos em ultramaratonas mais longas encontraram quebras reais de massa muscular, provavelmente devido a um défice calórico muito maior e mais prolongado do que o de uma única prova. A conclusão prática: o risco para o músculo não parece estar no dia da prova em si, mas nos meses de alimentação insuficiente ou de treino de força saltado durante a preparação.
O que vês nos teus próprios dados, não num estudo
Um estudo com 16 corredores diz-te o que acontece, em média, numa prova. O que te interessa a ti é a tua trajetória ao longo de todo um bloco de preparação — não apenas o dia a seguir à maratona. Com a Trainr, a partir de duas fotografias fazes um scan 3D e acompanhas ao longo do tempo a cintura, os braços, o peito e a estimativa de gordura corporal. Se o teu treino de força baixou nos últimos meses antes da prova, isso vai ver-se na tendência dos braços e do peito, não num único número na balança.
Essa é a diferença entre adivinhar e medir: uma queda aguda de peso pós-prova não significa nada preocupante, mas uma queda lenta e constante de massa muscular ao longo de três a quatro meses de treino para a distância merece mesmo ser observada. O primeiro scan é gratuito — útil exatamente para este tipo de verificação, antes de entrares num ciclo longo de preparação.
Faz o teu scan — o primeiro é gratuitoA prova em si não te consome os músculos — os meses de preparação mal alimentados, esses sim.
O Trainr é uma ferramenta de bem-estar, não um dispositivo médico. As medidas e a composição corporal são estimativas para o teu acompanhamento pessoal; para questões médicas, fala com um profissional.