Cardio em Jejum e Perda de Gordura: O Que Diz a Ciência

Cardio em Jejum e Perda de Gordura: O Que Diz a Ciência

2026-10-27 · 4 min de leitura

Um estudo de 2014 publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition testou diretamente a questão do cardio em jejum: será que treinar de estômago vazio queima mais gordura do que treinar depois de comer. A resposta interessa a quem já saltou o pequeno-almoço antes de correr por hábito ou superstição, em vez de evidência.

A fonte: Brad Jon Schoenfeld, Alan Albert Aragon, Colin D Wilborn, James W Krieger, Gul T Sonmez (2014). Body composition changes associated with fasted versus non-fasted aerobic exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4242477/

O desenho do estudo

Os investigadores dividiram vinte mulheres jovens e saudáveis em dois grupos. Um treinou depois de um jejum noturno; o outro bebeu um batido substituto de refeição antes do treino. O grupo em jejum tomava o batido depois do exercício, pelo que a ingestão total ficou igualada entre os dois grupos.

De resto, ambos os grupos fizeram exatamente o mesmo: uma hora de exercício aeróbio contínuo, três dias por semana, durante quatro semanas, com a mesma dieta de restrição calórica. A única variável era o momento em que tomavam aquele batido em relação ao treino.

O que mudou, de facto

Ambos os grupos perderam peso e massa gorda ao longo das quatro semanas, e essa perda foi estatisticamente significativa em cada grupo isoladamente (P = 0,0005 para o peso, P = 0,02 para a massa gorda). Quem segue um défice calórico perde gordura. Isso nunca esteve em causa.

O que os investigadores queriam saber era se treinar em jejum dava alguma vantagem extra. Não deu. Não houve diferenças significativas entre os grupos na massa gorda, na massa isenta de gordura, no peso corporal, no IMC ou no perímetro da cintura. O grupo em jejum perdeu, em média, ligeiramente mais, cerca de 1,6 kg contra 1,0 kg, mas a diferença não foi estatisticamente relevante, com valores de p à volta de 0,8 a 0,9 em todos os resultados.

A ressalva honesta: este foi um estudo pequeno, dez mulheres por grupo, ao longo de apenas quatro semanas, com participantes jovens e sem obesidade. Os próprios autores admitem que os resultados podem não se aplicar a outras populações ou a períodos mais longos. Um único estudo deste tamanho é um ponto de dados, não um veredicto.

O que isto significa para a tua rotina

Se a balança e a fita métrica respondem ao balanço calórico total da semana, e não ao facto de uma sessão em particular ter sido feita em jejum, então a decisão de comer ou não antes do treino passa a ser uma questão de conforto pessoal e desempenho, não uma alavanca de perda de gordura. Há quem corra melhor em jejum. Há quem se sinta mais lento. Nenhuma das opções parece alterar o resultado da composição corporal, segundo este estudo.

Isto reformula a verdadeira questão: não é jejum versus alimentado, mas sim se a tua semana, com todas as refeições e sessões somadas, está a bater certo com o teu objetivo. Isso é mais difícil de avaliar a olho do que uma decisão pontual de treino, e é por isso que acompanhar a evolução importa mais do que o timing.

Acompanhar a tendência, não a sessão isolada

Uma única corrida em jejum não vai aparecer como um número diferente num scan corporal em 3D comparado com uma corrida depois de comer. O que aparece ao longo das semanas é a soma de tudo: consistência no treino, padrões alimentares, recuperação. O Trainr cria um scan em 3D a partir de duas fotos do telemóvel e acompanha a cintura, o peito, os braços e uma estimativa da percentagem de gordura corporal ao longo do tempo, pelo que a pergunta deixa de ser "este treino funcionou" e passa a ser "a tendência está a mover-se na direção que quero".

Esta distinção importa sobretudo para quem procura mudanças pequenas e lentas, exatamente o tipo que este estudo mediu. Uma medida de cintura que varia meio centímetro por semana não se nota no registo de um único treino, mas aparece numa linha de tendência ao longo de um mês. O primeiro scan é gratuito, e o valor está menos num número isolado do que em observar a sua evolução.

Faz o teu scan — o primeiro é gratuito

A investigação sugere que é a tua semana que decide a perda de gordura, não se comeste ou não o pequeno-almoço antes do treino.

O Trainr é uma ferramenta de bem-estar, não um dispositivo médico. As medidas e a composição corporal são estimativas para o teu acompanhamento pessoal; para questões médicas, fala com um profissional.